Impossível arquitetura – Bruno Rios

Bruno Rios é um jovem pintor e sua exposição na DESVIO, intitulada Impossível Arquitetura, é resultado de um prêmio que o artista recebeu ao participar da Mostra!, exposição coletiva formada por alunos da Escola de Belas Artes da UFMG. Naquela ocasião Rios apresentou algumas telas e uma escultura. As peças apresentadas na Mostra!, já então bastante coloridas, abstratas, cuja confecção incorporou alguns materiais da construção civil como tijolos e massa plástica, chamaram atenção pela maturidade que o trabalho apresentava, já que foram feitas por pintor tão jovem. A convivência com o artista e a exposição que ele agora apresenta na DESVIO reiteram a impressão inicial: Bruno Rios é um jovem artista dedicado a pensar e viver o seu tempo, sua cidade e o seu trabalho.

O caminho desenvolvido de lá pra cá reflete, dentre tantas coisas, a relação intensa de Rios com sua cidade, Belo Horizonte. Observadas a partir das telas apresentadas na Mostra!, as pinturas que agora mostramos na DESVIO são ainda mais caóticas, povoadas de informação, cores, materiais. Manchas cromáticas deram lugar à linhas retas, duras, que refletem não só a arquitetura de prédios ou as faixas das grandes avenidas, mas também a dureza de viver em uma grande cidade que cresce sem o cuidado do poder público e o envolvimento da população nas questões urbanísticas. A cidade vista de dentro do ônibus, a escassez de praças e parques, o espaço público não ocupado pela população, os espaços escondidos de BH, o trânsito intenso, a falta de relações sociais mais democráticas. Tudo isso inspirou as conversas em torno de Impossível Arquitetura.

O titulo não se refere somente à arquitetura como prática construtiva, mas também como a arquitetura das coisas, das cidades, das relações que estabelecemos nelas e das dificuldades que elas nos impõem. Através do trabalho de Bruno Rios podemos pensar em relações mais abrangentes com o espaço urbano, no que se refere à sua plasticidade e também à sua “sociologia”. Refletir sobre a vida em Belo Horizonte, cidade que se prepara para receber um grande evento internacional – a Copa do Mundo de Futebol – e sobre as conseqüências das transformações que estão em execução.

Para além do espaço geográfico, que é sim bastante presente e importante na elaboração do trabalho apresentado na DESVIO, Impossível Arquitetura trata da criação de espaços de convivência e reflexão. Algumas pinturas parecem sugerir a existência de um espaço interno, particular, talvez salas, quartos, de onde sempre podemos ver a rua através de janelas. Lá fora temos uma cena urbana, caótica. Já nas telas grandes, assumem-se definitivamente os espaços abertos, grandes prédios e avenidas, rebocos e recortes de paredes mal cuidadas. Dentro da enormidade de uma cidade como Belo Horizonte, vemos pequenos recortes feitos pelo olho, pela câmera fotográfica, pela janela do ônibus, que poderiam ser cartões postais se não fossem também a denúncia de uma cidade caótica e hostil. Mensagens cifradas no mobiliário urbano, nas placas de trânsito anonimamente grafitadas, nas veias de plástico e ferro do encanamento subterrâneo, nas árvores recortadas para a passagens de fios elétricos. Impossível Arquitetura não quer decifrar estas mensagens, trata-se mais de responder a elas ao propor novos códigos, ainda mais caóticos, mas pelo menos muito mais poéticos.

Morgana Rissinger

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