PAISAGENS

PAISAGENS 

A exposição de Janaína Mello na DESVIO é a materialização de uma longa conversa. Alguns meses se passaram desde que começamos a pensar na mostra que agora apresentamos ao público, composta de Paisagens e Ciclotramas. O passar do tempo modifica as coisas, e foi isso que observamos nesse período de preparação: mudanças.
As Paisagens, formadas por fitas de tecido trançadas inicialmente  em um padrão contínuo de composição, que resultavam imagens abstratas e cheia de cores, se transformaram em Salas Silenciosas que configuram um cenário enigmático, através da simplificação e depuração da técnica e de uma volta à arquitetura, ofício originalmente escolhido pela artista como campo de atuação. A mudança na técnica permite também o surgimento de Memórias Cromáticas, nas quais lembranças de paisagens materializam-se em quadros pixelados em que cor e luz procuram sugerir ao outro lugares guardados nas memórias de Janaína.
Utilizando fios, linhas e fitas de tecido, Janaína Mello articula composições cromáticas, nas quais a incidência de luz modifica as texturas – de modo a reafirmar a importância do ponto de vista do outro. A intimidade da artista com os materiais com que trabalha é antiga, desde a infância no interior mineiro. Das brincadeiras de criança  na confecção de utensílios até o presente, com a exibição na DESVIO, observamos que os materiais utilizados são praticamente os mesmos, desde sempre. A técnica artesanal, muitas vezes desvalorizada ou menosprezada em alguns ambientes da arte contemporânea, tem grande importância aqui e é em si a forma de expressão de Janaína. Com suas centenas de fitas e fios coloridos, a artista forma sempre uma trama  através da qual podemos refletir sobre o fluxo, a experiência, a transformação, o amadurecimento e o tempo.
Ciclotrama, uma grande instalação site specific,  à primeira vista monocromática, ocupa a parte central da galeria e nos fala destes fluxos. Para além da pesquisa que investiga a transformação de linha em massa de cor, os Ciclotramas de Janaína Mello (cujo material é caracterizado por sua capilaridade, somado à maleabilidade e à tensão que ele suporta) abrem-se para questões que circundam toda a dinâmica referente às relações sociais que vivemos hoje, fragmentadas, rizomáticas, mixadas em suas diversas possibilidades. O que um único fio vermelho significa em meio às dezenas de outros fios que compõe o Ciclotrama apresentado na DESVIO?

Mesmo não sendo este o ponto de partida, a exposição nos fala da noção de indivíduo, ou melhor, do outro. As Salas Silenciosas estão vazias, a espera de público, de uso. Ao se deslocar pela galeria, o observador poderá presenciar a mudança das salas, que só se mostram por completo a partir de um olhar de fora, que pode identificar diferentes gamas de cor e jogos de perspectiva conforme muda seu ponto de vista. De modo análogo, as Memórias Cromáticas atingem sua potência maior quando vistas em seu conjunto, na qual o outro é chamado a ver a paisagem/memória por detrás dos pixels.
Portanto, cá está o convite: seja bem vindo às Paisagens de Janaína Mello – e deixe-se enredar por elas.

Morgana Rissinger

 

SERVIÇO:
O QUE: PAISAGENS – Exposição de Janaína Mello na DESVIO
QUANDO: abertura: 02 de abril, sábado, às 14h
visitação: de 04 a 30 de abril
segunda a sexta-feira, das 14h às 20h, e aos sábados das 11h às 15h
ONDE: DESVIO
Rua Tomé de Souza, 815 – 2o andar – Savassi – BH
31-32610365
www.odesvio.com
http://janainamellolandini.viewbook.com

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