CONCRETO APARENTE, exposição coletiva na DESVIO

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A DESVIO reuniu três artistas de Belo Horizonte na exposição CONCRETO APARENTE, que pode ser conferida até o dia 27 de junho.

A coletiva apresenta um diálogo entre trabalhos de Alexandre Mancini, Ricardo Carvão Levy e Xerel Alcântara, artistas com trajetórias e produção bastante distintas, ligados no entanto pela vocação para a arte pública e pela influência – deliberada ou não – dos movimentos construtivos brasileiros, como o Concreto e Neoconcreto.

Alexandre Mancini dedica seu trabalho à azulejaria brasileira, onde a quase inevitável inspiração de Athos Bulcão se faz fortemente presente. Nos painéis do artista, a combinação modular aleatória conta com a interferência do pedreiro azulejista, cuja liberdade no assentamento das peças influencia e colabora com o resultado final, tornando-o também um dos autores da obra. Inaugurados em 2008, os painéis da Praça da Pampulha são um belo exemplo desta estratégia. Na presente exposição, Mancini exibirá novos quadros de sua linha figurativa, homenageando alguns dos mestres que o inspiram e também trabalhos inéditos onde a manipulação cuidadosa de figuras geométricas simples, deslocadas ou recortadas do plano, compõe obras de grande valor plástico. Seu trabalho é exemplar na valorização e resgate do azulejo como suporte perene para obras públicas.

Ricardo Carvão Levy, escultor belenense radicado em Belo Horizonte, dispensa apresentações. Algumas de suas obras, como a grande escultura da Praça do Papa, são marcos importantes da capital mineira. A obra de Carvão é caracterizada pela simplicidade geométrica nos traços e recortes, fazendo uso de uma infinita gama de materiais como couro, ferro, aço e concreto. Muitas de suas peças buscam o reaproveitamento e a consequente re-significação de peças ou resíduos industriais, idéia hoje em voga, mas já bem antiga em seus trabalhos. Em CONCRETO APARENTE o artista apresentará primordialmente trabalhos menos conhecidos do grande público, marcados pelo uso de materiais leves ou alternativos, cores e repetições onde o equilíbrio sutil muitas vezes convida o espectador a interagir e interferir na obra.

Xerel Alcântara é um dos mais ativos artistas de rua de Belo Horizonte, há mais de 15 anos. Colar stickers e abandonar painéis por onde quer que passe tornou-se uma obsessão para ele e fez do personagem-ícone criado pelo artista figura onipresente na cidade. O que em princípio era um rosto de linhas simples e retas sofreu ao longo dos anos a implacável síntese de Xerel, ao mesmo tempo em que despertou no artista o gosto pelas proporções alongadas, no limite do possível. Seu “grande irmão” toma inspiração do romance 1984, de George Orwell e sua vocação e pertinência se confirma cada vez que nos deparamos com ele. Nesta exposição, teremos a oportunidade de confirmar e nos surpreender com a força da obra de Xerel, construída ao longo dos anos de modo silencioso e discreto.

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